Na terça-feira, 25 de novembro, os alunos do Mestrado em Planeamento e Gestão Territorial da Universidade de Santiago de Compostela (USC) realizaram a sua primeira visita à Academia da Aldeia, uma das principais atividades do projeto PAISACTIVO. Foram acompanhados por parte da equipa técnica do nosso projeto, que desenvolveram uma atividade exclusiva para orientar a rota.

A Academia da Aldeia é o espaço de formação prática do PAISACTIVO. Foi criada para aprender diretamente no terreno como construir resiliência rural: percorrendo a paisagem, compreendendo as suas vulnerabilidades e reconhecendo as oportunidades que permitem a criação de aldeias vibrantes, seguras e produtivas.
Infesta, enquanto Projeto Territorial Modelo (PTM), é um dos locais onde esta metodologia está a ser implementada. Aí, o conhecimento técnico, a sabedoria comunitária e a análise multiescalar combinam-se para compreender como funciona, de facto, um território rural em transformação.
O programa inclui quatro visitas às áreas piloto para a implementação dos Planos Territoriais Modelo: a Aldeia Modelo Infesta em Monterrei (Ourense, Espanha) e a Aldeia Modelo Almofrela em Baião (Portugal), bem como outros locais pertencentes à Rede Transfronteiriça de Projetos Territoriais Modelo (RURACTIVA), promovida pelo nosso projeto.
Durante a visita à Infesta, a equipa do PAISACTIVO desenvolveu esta dinámica específica para orientar a visita dos alunos do Mestrado em Planeamento e Gestão Territorial da Universidade de Santiago de Compostela (USC).
Uma abordagem territorial
A Academia trabalha com os três anéis do Modelo de Paisagem Territorial (MPT), três escalas que explicam como está organizada uma paisagem rural e onde intervir para reduzir os riscos e ativar os usos produtivos.
- Ambiente Territorial
Dinâmica: Percepção Sensorial da Paisagem
A experiência começa num ponto de observação com vista para uma paisagem queimada. Antes da análise, percebe-se: o abandono, a continuidade do combustível, a rutura do mosaico produtivo. Esta percepção inicial permite-nos:
- identificar vulnerabilidades estruturais
- compreender o fogo como um sintoma territorial
- construir uma base comum para a análise do MPT
2. Paisagem circundante
Dinâmica: Imagine o perímetro ativo
O segundo passo consiste em analisar o perímetro imediato da aldeia, a área-chave onde convergem a protecção, a produção e a paisagem. Aqui, são identificados:
- zonas críticas entre a vegetação e o centro da aldeia,
- espaços subutilizados com potencial,
- elementos patrimoniais,
- e o papel do perímetro como corta-fogo.
O grupo avalia também quais as Soluções Baseadas na Natureza mais adequadas (pastoreio gerido, fruticultura, sebes vivas, sistemas agroflorestais, etc.).
3. Núcleo da aldeia
Dinâmica: Mapeamento participativo
A escala final é a própria aldeia, onde se organiza a vida quotidiana. Num mapa físico, localizam-se:
- lugares de encontro,
- pontos de conflito entre usos dos residentes e dos visitantes,
- oportunidades para ativar o espaço público.
Estes contributos influenciam diretamente o projeto do PTM.
Uma ferramenta estratégica para o PAISACTIVO
LA Academia da Aldeia não é uma oficina ou uma visita guiada: é uma ferramenta operacional que:
- gera informação direta para o diagnóstico do PTM,
- capacita em novas competências profissionais,
- reforça a governação local,
- acelera a activação territorial em aldeias-piloto como Infesta,
- transforma a paisagem num laboratório vivo para testar soluções reais para o abandono, o risco de incêndio e a perda de atividade.
Em última análise, é assim que o PAISACTIVO transforma a teoria em prática e converte o território numa aula viva de resiliência.